segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Há um certo ponto na estrada
Do qual não mais se enxerga o retorno.
Todas as coisas vividas e sonhadas trouxeram-me
A este lugar e a esta pessoa.
Aqueles que nos cruzam o caminho
São como placas à beira da estrada
Nos indicando o quanto nos falta andar
Até chegarmos ao nosso destino.
Ela seria o fim da linha,
Se a pobreza da expressão
lhe permitisse que fosse.
Lhe faz jus ser a terra prometida, Pasárgada,
Recanto pelo o qual buscava.
E com a minha chegada,
Minhas pernas se cruzam
Qual os braços o fazem
Quando nos conferem a personalidade das pedras.
E presumo então ser preciosa,
Visto que agora reluzo e permito-me ser lapidada.
Permanência me é dom ainda novo
Corresponde aos meus ancestrais e não a rechaço.
Ainda que eu me criasse da minha própria costela,
E as minhas próprias regras ditasse,
Tendo regra de conduta autoral
Alheia ao que me fora imposto,
Há coisas que na psique me causariam embaraço
Ao meu querer-me andarilha,
Dona dos meus próprios passos.
E isso me é de bom grado.
A ela meus pés acompanham
Em um valsar coordenado.
E se deitam ao seu lado, gastos,
Mas nunca cansados.
Está-la é o verbo correto.
Intransitável, do presente mais que perfeito.
Vivê-la é tão gratificante
Que eu deveria casar-me com ela
Dia após dia,
até que os dias findassem.
Pouco do mundo me fora tão precioso
Quanto aproveita-la a presença e a perenidade.
Se eu soubesse como ser mais grata,
O faria de imediato,
mas ignorante que sou dos sentimentos ainda inominados,
lhe dedico minha adoração e amor
e, sobretudo, sua continuidade.

[Aline Nunes]

Um comentário :

RM disse...

ao meu amor desejo que para sempre possamos ser companheiras da vida, nas alegrias ou tristezas, mas que apenas sejam com você.