sábado, 31 de outubro de 2009




“Tu sabes que não existe no mundo nada tão instável, tão inquieto quanto o meu coração. Se é que tenho necessidade de dizê-lo a quem tantas vezes carregou o fardo de me ver passar da aflição à digressão, da doce melancolia à paixão furiosa, meu caro! É por isso que trato meu coraçãozinho como uma criança doente, satisfazendo-lhe todas as vontades. Não diga isso adiante, há pessoas que poderiam usá-lo contra mim.”

[Goethe]

sábado, 17 de outubro de 2009


"Então voltaste. E eu te disse que além do que tínhamos, não nos restava nada. Disseste depois que o dia inteiro só querias chorar, e que eu aceitasse. Eu disse que achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidianos. E acho que não nos dissemos mais nada, e dissemos outra vez tudo aquilo que já havíamos dito e diríamos outras e outras vezes, e de repente percebemos com dureza e alívio que já não era mais o dia de ontem - mas que conseguiríamos sentir que quem não nascer de novo já era no Reino dos Céus. Não sei se não ouviste, mas ele não veio e a noite inteira o telefone permaneceu em silêncio. Foi só hoje de manhã que ele tocou e eu ouvi a tua voz perguntando lenta se eu ia continuar tecendo. Olhei para tua cama vazia, e para os livros sobre o caixote branco, e para as roupas no chão, e para a chuva que continuava caindo além das janelas, e para a pulseira de cobre que meu amigo me deu, e para a ausência do amigo queimando o pulso direito, mas perguntaste novamente se eu estava disposto a continuar tecendo e então eu disse que sim, que estava disposto, que teceria. Que eu teço."

[Caio Fernando Abreu]

sábado, 5 de setembro de 2009




"Tanto que tenho falado, como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes, também se tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo; a sonhar um pouco; a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa."

[Rubem Braga]

quarta-feira, 2 de setembro de 2009





"se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos."


[Gabriel García Márquez]

sábado, 15 de agosto de 2009


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como "estou contente outra vez"

[Caio Fernando Abreu]

sábado, 8 de agosto de 2009

"Recomeçar é sempre bom. Ando com vontade de sacudir a poeira das experiências adquiridas e ganhar territórios novos. Esse desprendimento demanda liberdade, uma senhora regida pelo desapego. Então, corto os laços de cetim e também as cordas. Quero seguir o fluxo da vida como um rio, soltando a âncora porque chegou a hora, deixando velhos portos onde guardo realizações como troféus da existência. Sempre há caminhos novos... As mudanças vêm bater na minha praia. Devo aproveitar seu balanço para me lançar ao mar. Navegar é preciso... e navegar é uma batalha interior que depende de vontade própria. Exige vencer os desafios dos sete mares: o mar do comodismo, do apego, da resistência a mudanças, do equívoco da segurança (porque nada é seguro), do fantasma das perdas, do rompimento dos padrões, do medo do desconhecido. Na minha bagagem acumulei um excesso de responsabilidades que não me pertencem. Estou querendo viajar por minha conta e risco. Até o fim da estrada com direito a paradas prazerosas para contar estrelas e contar histórias. Não quero deixar o melhor de mim para amanhã."

[Célia Musilli]

sábado, 25 de julho de 2009






"Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas. As pessoas imaginam seus próprios campos de rosas. E às vezes estou na frente dos campos como se morresse; outras, como se agora somente eu pudesse acordar."

[Herberto Helder]

sábado, 18 de julho de 2009

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


[Rubem Braga]

Porque te amo
Deverias ao menos te deter
Um instante como as pessoas fazem
Quando vêem a petúnia
Ou a chuva de granizo.
Porque te amo
Deveria a teus olhos parecer
Uma outra Ariana
Não essa que te louva
A cada verso
Mas outra
Reverso de sua própria placidez
Escudo e crueldade a cada gesto.
Porque te amo, Dionísio,
é que me faço assim tão simultânea
Madura, adolescente
E por isso talvez
Te aborreças de mim

[Hilda Hilst]

sexta-feira, 22 de maio de 2009


Isso de mim que anseia desepedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isto? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.


[Hilda Hilst]

domingo, 17 de maio de 2009

carpe noctem


"..De todas as venturas que lentamente me abandonam, o sono é uma das mais preciosas, embora seja das mais comuns também.(...)Concordo que o sono mais perfeito é necessariamente um complemento do amor: repouso tranqüilo, refletido sobre dois corpos. Mas o que me interessa aqui é o mistério específico do sono saboreado por si mesmo, o incontrolável e arriscado mergulho a que se aventura todas as noites o homem nu, só e desarmado, num oceano onde tudo é novo: cores, densidades, o próprio ritmo da respiração, e onde reencontramos os mortos. O que nos tranqüiliza no sono é a certeza de que dele retornamos, e retornamos os mesmos, já que uma estranha interdição nos impede de trazer conosco o resíduo exato dos nossos sonhos. Outra coisa nos tranqüiliza ainda: é que ele nos cura
temporariamente da fadiga pelo mais radical dos processos, isto é, fazendo com que cessemos de existir durante algumas horas. Nisso, como em outras coisas, o prazer e a arte consistem em nos abandonarmos conscientemente a essa bem-aventurada inconsciência, consentindo em sermos sutilmente mais fracos, mais leves, mais pesados e mais confusos do que nós mesmos. Voltarei mais tarde aos habitantes extraordinários de nossos sonhos. Por ora, prefiro falar de certas experiências do sono puro e do puro despertar, um e outro confinando com a morte e com a ressurreição. Hoje, procuro reencontrar a antiga sensação dos sonos fulminantes da adolescência, quando adormecemos completamente vestidos sobre os livros, súbito transportados para fora da matemática e dos tratados de direito, e mergulhados num sono sólido e profundo, tão cheio de energia não consumida, que poderíamos experimentar, por assim dizer, a exata sensação de existir através das pálpebras abaixadas. (...) O sono, em curto espaço de tempo, havia reparado meus excessos de virtude com a mesma imparcialidade com que teria reparado os do vício. A divindade desse grande restaurador quer que seus efeitos benéficos se exerçam sobre qualquer pessoa adormecida, da mesma forma que a água carregada de poderes curativos não se preocupa com a identidade de quem a bebe na nascente.
Mas, se meditamos tão pouco num fenômeno que absorve quase um terço de nossa existência, é porque é necessária uma certa modéstia para apreciar seus dons. Adormecidos, Caio,Calígula e o justo Aristides equivalem-se. Eu próprio renuncio a meus vãos e importantes privilégios e já não me distingo do guarda negro que dorme atravessado no umbral de minha porta. Que é nossa insônia, senão a obstinação maníaca da nossa inteligência em manufaturar pensamentos e formular uma série de raciocínios, silogismos e definições que lhe são próprios? Ou, ainda, a recusa em abdicar em favor da divina estupidez dos olhos fechados ou da sensata loucura dos sonhos? O homem que não dorme — e tenho tido, desde alguns meses, freqüentes ocasiões de constatá-lo em mim mesmo — recusa-se mais ou menos conscientemente a confiar no fluxo das coisas.(...)Propositadamente, jamais olhei dormir aqueles a quem amava: descansavam de mim, bem sei; sei também que me escapavam. Todo homem se envergonha do seu rosto alterado pelo sono. Quantas vezes, tendo-me levantado muito cedo para ler ou estudar, eu próprio coloquei em ordem as almofadas amassadas e os lençóis amarrotados, evidências quase obscenas dos nossos encontros com o nada, provas de que a cada noite deixamos de existir..."


[Memórias de Adriano - Marguerite Yourcenar]

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"..Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.."

[Fernando Pessoa]

*há dias minha consciencia grita isso pra mim. Preciso de uma mordaça ou de uma dose bem servida de coragem/ânimo/fé.

domingo, 3 de maio de 2009

Se me quiserem amar, terá de ser agora:
depois, estarei cansada.
Minha vida
foi feita de parceria com a morte:
pertenço um pouco a cada uma,
para mim sobrou quase nada.
Ponho a máscara do dia,
um rosto cômodo e fixo:
assim garanto a minha sobrevida.
Se me quiserem amar, terá de ser hoje:
amanhã, estarei mudada.


[Lya Luft]

sexta-feira, 10 de abril de 2009








"..Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz.."

[Antoine de Saint-Exupèry]

sábado, 4 de abril de 2009


"... olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado a vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de sermos inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a isso consideramos a vitória nossa de cada dia..."


[Clarice Lispector – Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres]

sábado, 21 de março de 2009


Coisa linda
É mais que uma idéia louca
Ver-te ao alcance da boca
Eu nem posso acreditar

Coisa linda
Minha humanidade cresce
Quando o mundo te oferece
E enfim te dás, tens lugar

Promessa de felicidade
Festa da vontade, nítido farol
Sinal novo sob o sol
Vida mais real

Coisa linda
Lua, lua, lua, lua
Sol, palavra, dança nua
Pluma, tela, pétala

Coisa linda
Desejar-te desde sempre
Ter-te agora e o dia é sempre
Uma alegria pra sempre


[Caê]


*dias de felicidade ímpar.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Os dias tem sido azuis, contrariando a meteorologia pessimista.
O sol invadiu o quarto e a vida. Deixei de lado o chapéu e o Sundown: a insolação é muito bem vinda.
Tudo em mim, de relutância à descrença, percebeu-se fotofóbico por ser Ela toda claridade, toda fosforescência; ser um prisma invadido da luz de todos os sóis.
Tudo de assombro e espanto, de monstros embaixo da cama e coisas que tiram o sono foi parar no antiquário à espera de quem os abrigue. [Não há tempo ou espaço pra tais quinquilharias.]
Tudo de riso e de canto me tomou a alma e a casa, e a vida de agora em diante, há de ser uma obra de arte repleta de lilases e verdes, vermelhos e roxos e de todos os tons da paleta de cores.
Sim, eu estou encantada pela beleza das coisas.
É como ser daltônico e ver o primeiro arco-íris depois de curado.
Há um verão dentro de mim e é tudo incandescência e pulsação.
Tudo anda a vibrar e a tamborilar no peito.

Talvez seja o carnaval, talvez seja só o amor.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009




"..não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar,
tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?.."

[Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados]

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009


"Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm..

..vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.."


[Cazuza]


*tente novamente.

domingo, 15 de fevereiro de 2009






Vê? olha lá o desassossego acenando de novo pra mim..

Fico por aqui sentindo os efeitos colaterais desse sentimento que é nosso.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009




"..Will you love me in the morning
When it's far too early
And you hate the place and work
You have to go to at nine?

Will you love me in the morning
When the coffee's cold, the paper's late
The rain keeps pouring for the third day straight?

Will you love me in the morning
When it's hard to make things work out?
When it's so hard make things work out...

Will you love me in the morning
When we've had a fight and I
Have told you things you know I never really meant?

Will you love me in the morning
When you've been awake since three
And there's no hope in making up the lack of sleep?

Will you love me in the morning
When it's hard to make things work out?
When it's so hard make things work out.."


[Acid House Kings]


*saudade, sempre saudade.

sábado, 31 de janeiro de 2009


"..Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.."


[Álvaro de Campos]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009







"..Diga lá, meu coração da alegria de rever essa menina e abraçá-la, e beijá-la.."


[Gonzaga Jr.]


*enche minha vida de vida.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


"..The keys to my heart
You hold in your hand
And nothing else matters
We're together again

Together again
The grey skies are gone
You 're back in my arms
Now where you belong
The love that I knew
Is living again
And nothing else matters
We're together again
And nothing else matters
We're together again
.."


[Mark Lanegan]


*é que eu tb já conheço alguém especial.

rs

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009




Saí terça passada e essa coisinha, a quem dei o nome de Vita, me abordou embaixo do meu prédio. Não fosse pela simpatia, eu não a teria trazido pra casa.
Levei ontem ao pet shop, deram banho, vacina, vermifugo e coleira, portanto, agora é só correr pro abraço.
Tô procurando um(a) dono(a) pra ela..
Disseram que ela deve estar com uns 8 meses.
É super dócil e eu certamente ficaria com ela não fosse pela minha mãe que não é mto fã de cachorro e está a ponto de me pôr na rua junto com a Vita.

Se alguém se interessar, pleeeeease, me liga, deixa scrap, comenta aqui no blog..qlq coisa, ok?

=*

terça-feira, 6 de janeiro de 2009



O AMOR é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma cousa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência
dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela
no meio.


[Fernando Pessoa – Alberto Caeiro]


*saudade.

sábado, 3 de janeiro de 2009


"..It's time to be so brutally honest about
The way we know want for something fine
When we climb for higher ceilings
And push for happy feelings

Everyday we wake up
We choose love
We choose light
And we try, it's too easy just to fall apart

[...]

We're not living the good life
Unless we're fighting the good fight
You and Me it's time to get it right.."


[The submarines]

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009










"..Amar pela segunda vez o que foi nosso é tão surpreendente que constitui outra primeira vez.."


[Carlos Drummond de Andrade]

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009


"É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te"


[Mario Quintana]